Analise de Augusto madraga de Guimarães Rosa

O autor

João Guimarães Rosa nasceu no dia 27 de junho de 1908, em Cordisburgo, Mina Geral. E desde pequeno era encantado por estudar outras línguas. Iniciou-se sozinho no estudo do francês. Após passar por alguns colégios, fixa-se em Belo Horizonte, onde completa o curso secundário em uma escola de padres alemães. Logo que ingressa, Guimarães Rosa começa o estudo de alemão. Ainda nessa cidade, matricula-se na Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais, em 1925. Nem tinha formado, quando em 1929, escreveu seus primeiros contos e deu início à sua carreira como literário. Já a princípio, ganhou prêmio em dinheiro pelos tais contos, ao participar de concurso oferecido pela revista “O Cruzeiro”.
Nesse período, suas obras, apesar de premiadas, não tinham a linguagem literária que representou um marco na literatura brasileira. Forma-se no mesmo ano em Medicina e exerce sua função nas várias cidades do interior mineiro. Após presenciar as dificuldades de se trabalhar em lugares que não ofereciam condições e pessoas sofrendo e morrendo por causa disso, o autor abandona a Medicina, pois não consegue conviver com tal realidade. Em 1936, participa de concursos literários que lhe rende prêmio da Academia Brasileira de Letras por “Magma”, uma coletânea de poemas. Após um ano, seu livro “Contos”, o qual mais tarde se chamaria Sagarana, ganhou o prêmio Humberto de Campos. O primeiro de tantos outros que recebeu por esta obra que reúne contos sobre a vida rural em Minas. É através desse livro que Guimarães Rosa começa a mostrar o regionalismo através da linguagem, característica maior do autor. Quando o Brasil rompe relações com a Alemanha, Guimarães Rosa é detido, juntamente com outros brasileiros, até que são soltos em troca de diplomatas alemães. Retorna ao país de origem em definitivo somente no ano de 1951 e começa a investigar a vida sertaneja, os usos, os costumes, as crenças, as músicas e também a fauna e a flora. É quando escreve “Corpo de Baile”, dividida em três novelas: Manuelzão e Miguilim, No Urubuquaquá, no Pinhém e Noites do sertão. “Grande sertão: veredas” vêm logo após e é aclamado pela crítica por suas inovações nas formas e na escrita. Por este motivo, se estabelece uma relação entre a inovação na fala das personagens e o regionalismo envolto em um “sertão místico”. A característica peculiar de Guimarães Rosa é o uso de neologismos, ou seja, da criação de palavras ou da recriação delas. Após resistir um pouco, Guimarães Rosa assume a cadeira na Academia Brasileira de Letras, toma posse três dias antes de morrer. No seu discurso de posse, diz:
“... a gente morre é para provar que viveu."
O autor faleceu de um mal súbito, em 19 de novembro de 1967; tinha 59 anos
A obra
Escrita em 1937, a obra "Sagarana" foi submetida a um concurso literário em que ficou em segundo lugar. O autor usou o pseudônimo de Viator, que, em latim, significa "viandante". A obra trazia quinhentas páginas. Com o tempo, foi reduzida para cerca de trezentas e publicada em 1946. O título é um hibridismo: "saga", de origem germânica, significa "canto heróico"; e "rana", de origem indígena, quer dizer "à maneira de" ou "espécie de”. As histórias induzem sempre numa alegoria, e os fatos focam a um sentido ou "moral", à maneira das fábulas. Cada conto é encabeçado por uma epigrafe que condensa sugestivamente a narrativa e são tomadas da tradição mineira, dos provérbios e cantigas do sertão. Estas epígrafes são extraídas de quadras de desafio, que sintetiza os elementos centrais da obra - sertão, bois, vaqueiros e jagunços, o bem e o mal. São nove contos que formam o livro Sagarana;
O Burrinho Pedrês
A volta do marido pródigo
Sarapalha
Duelo
Minha Gente
São Marcos
Corpo Fechado
Conversa de Bois
A hora e vez de Augusto Matraga
Analise do conto: A hora e a vez de augusto Matraga.
Foco narrativo.
A novela é narrada em terceira pessoa. O narrador é onisciente, penetrando nos pensamentos de Augusto Matraga como se fosse sua consciência.
Tempo e espaço

O tempo da narrativa está mais voltado ao psicológico, ou seja, indeterminado. O espaço é Minas Gerais, mais especificamente o Norte de Minas, nomes de vilarejos (Rala-Coco, Murici, Pindaíbas, Tombador) e lugares do sertão (rios, serras, etc.).
Personagens;
Augusto Esteves, Nhô Augusto e Augusto Matraga, é o protagonista principal, pelo seu estudo do seu nome é possível ter a primeira chave para ao conto Augusto vem do latim significa orgulhoso, suntuoso e Matraga é o hibridismo de “ma” (pessoa que inspira maldade) com “traga” do verbo tragar que significa engolir rapidamente ,sem mastigar , assim ele é apresentado no texto com um orgulho intragável.
Joãozinho bem-bem nome que no diminutivo já traz uma forma carinhosa e a adição da palavra bem duplicada lembra o badalo do sino da igreja criando para este personagem um forte teor cristão.
Quim Recadeiro este tem o nome com sue função no conto.
Dona Dionóra era mulher de Nhô Augusto. Acabou não agüentando mais as judiações do marido e seu descaso e fugiu com Ovídio.
Mitinha é filha de Nhô Augusto. Percebe ainda menina, que o pai não gosta dela e da mãe. Acaba se tomando prostituta.

Major Consilva inimigo de Nhô Augusto, tendo também sido inimigo do avô do protagonista. Homem mau e rico tem todo o poder depois da suposta morte de Nhô Augusto.

Tião da Thereza Conterrâneo de Nhô Augusto. Encontra-o no povoado do Tombador e coloca-o a par dos acontecimentos posteriores à sua suposta morte.

Outros personagens - Angélica. Sariema, Casal de pretos, Juruminho, Teófilo Sussuarana, etc.

Embora muitos estudos tenham sido elaborados com opiniões divergentes, percebi detalhes muito claros na essência do texto. A moral da história é a conversão cristã do protagonista. O rito de passagem (característica recorrente nas obras de Rosa) nada mais é do que uma forma simplificada da passagem de pecador a cristão.
Numa visão mais global e intertextual, vemos na saga de Matraga uma semelhança muito forte com a saga de Cristo, pois Augusto Matraga morre em nome da esperança e da salvação não só de sua alma, como também de outras almas. Ele entra em confronto com Joãozinho Bem-Bem para salvar uma família, que de uma forma alegórica, pode estar representando a sua própria família. Aliás, a família é um elemento de grande relevância na obra de Rosa, ela é sagrada e está sempre no topo de um pedestal. Salvar aquela família das garras de um bandido era, para Matraga, o mesmo que resgatar a sua própria família.
O local onde é travada a luta entre Joãozinho e Matraga lembra muito a passagem bíblica retratada na letra da canção Faroeste Caboclo, de Renato Russo, no auge do sucesso como líder da banda Legião Urbana. O João de santo Cristo, "um homem santo porque sabia morrer", travava uma luta com o bandido Jeremias, um perigoso traficante da cidade de Brasília. No confronto, João morre heroicamente, salvando sua alma de todos os pecados que cometera. E assim como Matraga, João de Santo Cristo também perdoa sua amada (Maria Lúcia) pela traição de ter fugido com outro. Sem dúvida, a morte representa o ápice do heroísmo para a moral cristã. Ela corresponde a um ritual de purificação da alma, para Rosa, a morte é, indubitavelmente, o passaporte humano para a vida eterna no céu.
O arrependimento e o perdão, dois elementos essencialmente cristãos, constituem parte do processo de purificação. Augusto Matraga, ainda em vida, arrepende-se de ter perdido sua família e, a partir daí, tem início seu processo de conversão cristã. E a efetivação dessa conversão se dá quando, no momento de sua morte, Matraga perdoa seu assassino, perdoa sua mulher e pede que abençoem sua filha.

Referencias
Rosa, Guimarães. A hora e a vez de augusto Matraga. 10. ed. São Paulo, SP .Nova fronteira.2006.
http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/analises_completas/a/a_hora_e_vez_de_augusto_matraga_conto.

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